Buscando conhecer o mundo, percebi o erro que cometia. Nietzsche já apontava para esse erro a mais de um século, mas mesmo assim raramente a consciência vinha a ponto de fazer-me perceber, aceitar e assim, integrar o conhecimento junto a mim.
Para começar, nosso exemplo trágico de, 1900 anos jogados fora, baseando os estudos do mundo em um idealismo que corrompia o corpo em favor da covardia -da negação da vida, da fuga do devir, a abdicação da presença- nos fizeram chegar ao ponto do niilismo sem ao menos perceber isso. Desejamos uma morte rápida e sem consciência.
É um erro tentar entender o mundo, como exemplo, o platonismo para o povo, o cristianismo. A natureza é superior à nós e sempre será, pois o devir não teve começo e nem terá fim.
E os gregos pré-socráticos sabiam disso, tanto como os chineses pré-buddha. Toda filosofia do mundo partia do ponto básico e o que eles percebiam como mais importante. O devir, o presente, o agora.
Então, se é um erro interpretar o mundo em busca de resposta, o que nos sobra?
Calma, não é bem assim. A interpretação é possível e importante até, o problema é a necessidade da verdade absoluta. Essa praga que nos arrasta até o fundo do poço.
Esquecemos que tudo que fazemos é apenas teoria. Tudo que criamos é mera especulação, independente da quantidade de vezes que a experiência já nos confirmou a teoria. Não interessa, a natureza pode a qualquer momento mudar as regras do jogo.
Novamente, se entender o mundo é um erro, e nos conhecer é fácil se houver honestidade, o que nos sobra? Responder a pergunta: Quem somos nós?
E não é respondendo quem fomos ou quem seremos. É conhecendo o instante, o agora. E essa pergunta só pode ser respondida através do contato direto, através do domínio da linguagem e da argumentação. Não se entregando a televisão, música, e livros como subterfúgio para negação da vida. A arte é complemento da vida, e não sua essência.
A vida é agora.